sábado, setembro 06, 2014

Eólico a funcionar

Desde que começámos a viver a bordo do nosso veleiro que nos debatemos com problemas de energia. De início tivemos problemas com as baterias, que tiveram de ser todas substituídas. No total foram seis baterias de ciclo profundo que nos davam, ou deveriam dar, 115amp cada, duas ficam destinadas apenas à ignição e as restantes quatro a tudo o resto. Infelizmente, desde o início e mesmo após mudar todas as baterias compradas (ainda dentro da garantia), nunca fomos capazes de manter energia suficiente, andando sempre o nível perto dos 12 volts e ao fim da noite mesmo abaixo dos 12 volts, o que não é nada bom para as baterias.
Em termos de produção apenas tínhamos o alternador do motor, um Powerline de 115amp equipado com regulador que gera energia suficiente para as baterias mas que obriga o motor a funcionar. Fazemos isso uma vez por dia durante uma hora ao final do dia, aproveitando também essa altura para produzir água potável. Ainda antes de começarmos a nossa viagem tentámos minimizar a dependência do alternador instalando um painel solar, optámos por uma unidade grande que oferece 250Watts e que, em dias de sol, atesta as baterias completamente mesmo com o frigorífico a funcionar. No entanto, apesar do painel solar, continuávamos a ter problemas de gerar energia, especialmente em dias sem sol.
Havia, ou melhor, ainda há, um gerador eólico KISS a bordo mas que nunca funcionou. Precisa de ser totalmente reconstruído. Devido às minhas limitações em termos de conhecimentos eléctricos, optámos por não o reconstruir mas sim adquirir uma unidade nova.

Com as restrições orçamentais conhecidas começámos a pesquisa, estando inclinados em comprar algo feito em Portugal. Com a secreta esperança que o produtor decidisse oferecer a unidade em troca de promoção da marca e como forma de apoiar o nosso esforço de promoção da cultura lusófona.
Contactado foi o produtor da marca SilentWind, pelo nosso conhecimento o único gerador eólico marítimo feito em Portugal, mas a resposta que recebemos foi com a oferta de um desconto de 20% numa factura que ultrapassava os mil Euros. Agradeci a simpatia e recusei devido a falta de recursos. Agora posso dizer que aqui em St Thomas conseguia a mesma unidade com um desconto superior ao que a casa mãe em Portugal me oferecia e pelo qual queriam que fosse feito comentários positivos ao produto!
Mas, depois de muito procurar e porque tínhamos de encontrar algo que se encaixasse no nosso orçamento, optámos por adquirir uma unidade de 400Watts da Sunforce. Não se trata de exactamente uma versão marítima mas parece oferecer todos os requisitos necessários para se aguentar algum tempo neste ambiente.
Foi encomendada através da Amazon e passado quatro dias estava no nosso barco sem quaisquer encargos adicionais para envio. Passado 24 horas estava instalada e a funcionar. Trata-se de uma unidade com controlador interno sem necessidade de passar pelo nosso controlador do painel solar, pelo que a ligação vai directa ao banco de baterias usado para o equipamento eléctrico do veleiro. Pela experiência até ao momento, parece funcionar bem e quando o vento ajuda, realmente carrega as baterias, ajudando a manter a carga acima dos 12 volts mesmo em dias sem sol.
A instalação, no nosso caso, foi bastante fácil visto que aproveitámos para substituir a unidade KISS, que agora vai esperar até que algum benfeitor nos queira apoiar na sua renovação. As ligações eléctricas estavam no local, o poste necessário estava já instalado. Apenas foi necessário prolongar o cabo eléctrico do compartimento do motor até às baterias, aproveitando essa ligação para instalar um interruptor de 50amp para desligar o gerador eólico quando não é necessário funcionar ou para lhe fazer manutenção no futuro.
No futuro iremos instalar mais um ou dois painéis solares e, quando for necessário substituir baterias, possivelmente iremos optar por baterias de lithium. Mas, para já e até chegarmos à Ásia, temos de viver com este sistema.

terça-feira, setembro 02, 2014

Problema da água resolvido

A causa de todos os problemas
Faz já algum tempo que não faço nenhum texto para o nosso blogue. Essa tarefa tem estado mais a cargo da NaE.
Penso que a última vez que escrevi estávamos ainda em Ponce, Porto Rico. Desde aí já passámos por muito, bom e mau, mas na maioria bom.
Neste momento estamos ainda em St Thomas, USVI, onde regressámos depois de uma breve passagem pelas BVI e por St Martin. Regressámos a território americano por diversas razões, documentos para o cachorro (Noel) e porque aqui ficamos sem problemas de vistos. A NaE, por ter passaporte Tailandês, tem problemas nos territórios europeus, apesar de ser casada com um Europeu e ter uma filha com passaporte Europeu. Enfim, assim se vê como anda o mundo!
Mas este texto tem mais como objectivo abordar um problema que nos tem afectado desde o início da viagem e que, finalmente, fui capaz de resolver. O dessalinizador nunca funcionou como deveria ser e por diversas vezes estiveram “peritos” da marca a bordo para tentar resolver o problema, apontando sempre diagnósticos que nos levavam a pensar em comprar um novo! Como a sua aquisição estava fora de questão para os meses mais próximos por falta de fundos, continuei a insistir em reparar o existente.
Trata-se de uma unidade com vários anos da marca PUR (actual Katadyn) que produz 80 galões (cerca de 300 litros) de água potável a cada 24 horas. Quando iniciámos a viagem procedi ao normal tratamento que estas unidades precisam depois de longos períodos de inoperância, substituí todos os vedantes da bomba e fiz a limpeza das duas membranas de filtragem. Tudo deveria estar pronto para produzir água em condições normais. No entanto, a máquina não produzia como deveria e, de tempos a tempos, parava com indícios de sobreaquecimento. Os “técnicos” apontavam para um problema da bomba, logo a peça mais cara de todo o conjunto! Só aqui iria a módica quantia de 3 a 4 mil dólares americanos. Mas, eu sempre acreditei que a bomba estaria boa, não havia fugas e quando funcionava fazia água de qualidade e com um fluxo dentro dos parâmetros esperados. A qualidade da água indicava também que não havia problema com as membranas, outra das possíveis causas apontadas, e cada uma custa 600 dólares! Havia ainda outro elemento no conjunto, um motor eléctrico de alta potência, semelhante em tudo a um motor de arranque de automóvel. Este, só para descarga de consciência, decidi retirá-lo e levá-lo a uma oficina para verificar, veio com veredicto positivo e sem qualquer falha. Mas, mesmo assim tudo parava de tempos a tempos e cada vez mais frequentemente. Continuava a sentir-se uma temperatura exagerada na zona do interruptor e do motor eléctrico, desconfiando eu que tal fosse a razão das paragens.
Unidade semelhante à do S/V Dee
Depois de desmontar tudo vi uma pequena peça que nunca tinha sido alvo de atenção e que fazia parte do sistema eléctrico, estando localizada entre a entrada da energia antes de chegar ao interruptor. É nada mais, nada menos, que um disjuntor que previne que seja disponibilizada muita energia, protegendo assim o motor eléctrico. Tratei de o retirar e substituir por um semelhante, mas de potência um pouco mais alta mas ainda dentro do limite do motor eléctrico, e o problema desapareceu! Afinal era o ShortStop de 15Amps que estava danificado.
De um orçamento de milhares de dólares acabei por resolver o problema com 20! Depois de ter desperdiçado 200 ou 300 dólares com os ditos “peritos”.
Outra coisa que aprendi foi que os dessalinazadores da Katadyn (ou PUR) afinal não precisam de peças da marca, como muitos se queixam. No processo de substituição e tentativa de reparar o aparelho acabei por substituir também alguns dos tubos de alta pressão. Na versão original são de metal moldados para encaixar perfeitamente no espaço da caixa do aparelho mas tentei usar tubos flexíveis comprados na HomeDepot e serviram na perfeição. Aliás, penso que funcionam ainda melhor porque se consegue ajustar melhor os ângulos evitando-se forças contrárias que acabam, com o tempo, dando lugar a fugas no sistema.

As próprias membranas, que a Katadyn cobra 600 dólares americanos cada, podem ser substituídas por membranas standart do HomeDepot, visto que os tubos de alta pressão encaixam nelas. Esse será o próximo passo!

domingo, março 30, 2014

Sonhos começam em La Hispaniola



O texto original foi escrito em tailandês pela NaE e traduzido para para Português pelo João.

La Hispaniola significa "A Espanhola" na língua de Cervantes. Onde Cristóvão Colombo descobriu o Novo Mundo em 1492. La Hispaniola é constituída por dois países, a República Dominicana e o Haiti.

Nossa Volta ao Mundo começa aqui, na República Dominicana, onde foram assinados os documentos da compra do veleiro. Enquanto ainda estamos no modo de preparação, verificando as velas, motor, sistemas de comunicação e eléctricos, filtros de água, comida e, claro, tentando ajustarmo-nos ao nosso novo estilo de vida, passámos os últimos três meses em Luperón, Puerto Plata. Luperón está localizada na costa norte da República Dominicana, e é conhecida como o paraíso dos velejadores por causa da segurança natural que abriga muitos barcos à vela durante a temporada de furacões, é o porto mais seguro das Caraíbas. E, em termos de terramotos, o último na República Dominicana foi em 1930.

Provavelmente, se perguntarmos à geração mais jovem onde é a República Dominicana muitos, ou mesmo todos, ficam embaraçados e perguntar-nos-ão onde é! Ou, na melhor das hipóteses, confundem-na com Dominica! No entanto, para as pessoas interessadas em História, a República Dominicana é bem conhecida. Tudo começou aqui, a descoberta do Novo Mundo, La Isabela, onde Cristóvão Colombo chegou, a primeira missa no Novo Mundo, o primeiro assentamento europeu no Novo Mundo, a primeira igreja católica nas Américas ou até mesmo a primeira capital das Américas. Hoje em dia Santo Domingo ainda permanece a capital da República Dominicana e também a maior capital do Caribe.

A História e cultura dominicana é notável. A cultura é uma mistura de europeia e nativa, o que deu resultado em "mestiços" (pessoas de raça mista), os dominicanos têm uma aparência que contrasta com a do seu vizinho, os haitianos têm pele mais escura. Hoje em dia, a República Dominicana tem uma população de cerca de 10 milhões de pessoas. O espanhol é a única língua oficial. A principal indústria do país é o turismo, naturalmente, porque as ilhas do Caribe são o destino de sonho para os amantes de praia e do mar. No entanto, a sua natureza virgem e a longa história estão atraindo cada vez mais turistas. Os principais produtos de exportação são o arroz, banana e galináceos, sendo o Haiti o destino principal destes produtos porque o seu solo não é adequado à produção agrícola. Os Estados Unidos e a Venezuela são os segundos principais destinos das exportações. Depois de visitar muitos locais em todo o país, temos que admitir que a paisagem é de tirar o fôlego, os campos são tão verdejantes que até a aragem cheira a campo. As bananeiras estão por todo o país, é um dos principais produtos e, naturalmente, é um alimento de base importante na dieta diária dos Dominicanos, da mesma forma que as batatas são para os europeus e o arroz para os asiáticos. Como resultado desta abundância e variedade, as bananas são sempre parte das refeições como acompanhamentos em parceria com o feijão!

O que me deixou mais surpresa foram as pessoas. São todos muito prestáveis e sempre prontos a ajudar. Nos primeiros dias depois que chegarmos perguntei ao João se eles nos ajudam com sinceridade ou porque vêm que somos turistas e tentam tirar vantagem de nós. Quando perguntei a alguns locais a razão de serem assim a resposta impressionou-me e que espero que os nossos leitores possam também aprender da mesma forma que também o fizemos. "O nosso país é um destino turístico. Nós não queremos saber de onde vieram, e acreditamos que não é necessário perguntar de onde vieram, desde que seja um turista temos que o receber bem. O nosso país é talvez o único país no mundo onde pode conhecer uma pessoa local e no dia seguinte pode ser convidado para ir comer a sua casa ou mesmo ganhar um bom amigo."

O governo dominicano tenta promover a indústria do turismo e faz todos os esforços para melhorar a segurança do país. Tentam proteger a natureza, exemplo disso é o mangal que é protegido por lei. Na baía de Luperón todos estão conscientes do problema da poluição e as autoridades deixam muito claro que é estritamente proibido despejar lixo ou quaisquer outros produtos poluentes nas águas, pela simples razão de que não querem estragar o ciclo natural e perturbar a vida marinha. No entanto, se alguém tende a prejudicar a natureza, pode ver-se em problemas com as autoridades e tem que enfrentar as leis locais.

A República Dominicana é rica em alimentos, frutas e legumes e outros recursos naturais, no entanto, a água é uma preocupação séria. O governo tem feito sérios esforços para consciencializar as pessoas para a qualidade da água da rede pública, promovendo o consumo de água tratada, em vez da água que chega às casas.

Desde que chegámos que temos comprado água engarrafada. No entanto, encontrámos alguns velejadores experientes que nos disseram, como regra de ouro nas Caraíbas, geralmente bebem água da torneira se os locais também a bebem, caso contrário, bebem engarrafada. Temos seguido este conselho até agora. Esta é a razão de vermos tantas marcas diferentes de água tratada, marcas a nível nacional e mesmo apenas local. As opções e os preços variam muito. Tivemos a oportunidade de visitar uma das marcas de Luperón – onde nos foi explicado todo o processo e que, possivelmente, iremos abordar num próximo texto.

A parte norte da República Dominicana está virada para o Oceano Atlântico e o sul para o mar do Caribe, uma extensa linha de costa com muitos portos de pesca e infraestruturas. Luperón, onde passamos a maior parte do tempo, está localizado no litoral norte. Uma aldeia com poucos habitantes que com a alta dos preços do gasóleo e da gasolina, dá origem a custos insuportáveis para a indústria pesqueira. Em resultado disso, o porto de Luperón só tem seis barcos de pesca e só saem duas vezes por semana durante longos períodos para maximizar a margem de lucro. Há um porto comercial maior em Puerto Plata, que contribui grandemente para a economia da costa Norte, mas não é suficiente para abastecer toda a região. Este problema com os altos custos de combustível e frota de pesca pequena, justifica a falta de opções em termos de pescado, mesmo vivendo na água!

Agora o veleiro Dee está quase perfeito para velejar em alto mar. Tudo está ficando afinado e deixámos de dar mais passos para trás do que para diante. Se as coisas seguirem de acordo com o plano, vamos estar à espera de uma janela de tempo favorável para deixar Luperón, com rumo a leste de La Hispaniola, para seguir para Porto Rico, um dos estados da América.
Vista de mar, Puerto Plata
Vista de mar, La Isabela
Catedral, Puerto Plata
Área Colonial, Puerto Plata
Baía de Luperón, vista da Marina Tropical
A primeira igreja das Américas; Las Americas, La Isabela
Fruta na estrada, Puerto Plata
Actividade de domingo, escola de vela na baía de Luperón
Noel com pôr-do-sol , baía de Luperón
Pai e filha, na baía de Luperón
Filete de peixe com banana frita
Rua na vila de Luperón
O "nosso" fornecedor de vegetais local, Luperón
Baía de Luperón, vista da Marina Luperón 

domingo, fevereiro 16, 2014

O meu dia de São Valentim

Este texto foi, originalmente, escrito pela NaE em Inglês e traduzido para Português pelo João.
A família Gomes no "Dee" 

Passou já algum tempo desde que escrevi pela última vez, penso que desde que deixei Macau. O principal problema não é falta de inspiração ou a preguiça, mas penso que compreendem, estamos tão ocupados que nem sequer temos tempo para ir visitar quaisquer lugares na República Dominicana e já cá estamos há um mês! Todas as manhãs acordamos por volta das 7, e se temos energia eléctrica na marina temos sorte de ter pequeno-almoço! Ah, preciso de explicar que no nosso barco não podemos cozinhar se não tivermos energia da rede pública ou da marina porque o nosso fogão é eléctrico, e temos que esperar que o mecânico conserte o nosso gerador de bordo, aliás, esperamos desde que chegámos. As nossas baterias novas tiveram de ser substituídas porque morreram, o nosso bote de borracha não tem motor fora de bordo porque ainda esperamos que a pessoa que cuidava do nosso barco quando estava em doca seca nos o entregue, mas essa pessoa anda muito ocupado com problemas na sua própria empresa. A marina onde ficamos chama-se "clube de iates" mas nem sequer podemos sair por terra, precisamos de ter carro, tem energia eléctrica apenas algumas horas por dia, mas, pelo menos, têm água corrente durante todo o dia. Estamos como que presos aqui, no meio das ilhas sem forma de ir a algum lado e algumas vezes até mesmo sem comida.
O que temos de resolver todos os dias não é agradável, e a isso há que adicionar uma vizinha "ecológica" que passa o tempo a reclamar que o nosso motor faz muito fumo e que entra pelo seu enorme iate quando durante o dia tentamos carregar as nossas baterias!
Muitas vezes sinto-me desesperada com o que está acontecendo mas sinto-me impotente, não há nada que eu possa fazer! Não é como na Ásia, onde podemos encontrar um mecânico para consertar uma coisa e, se ele não fizer o trabalho bem, podemos tentar encontrar outro. Por isso aqui usam muito a expressão trabalham ao "estilo Dominicano"! Como é? Se tiverem um compromisso algum dominicano terão sorte se aparecer no mesmo dia! Isso é estilo Dominicano e ninguém se chateia!
Muitas vezes discuto com João mesmo sabendo que ele tenta o seu melhor para resolver tudo, tentando solucionar os problemas um por um. No entanto, para me adaptar e me acostumar a este tipo de vida é muito difícil, e ainda tenho que tentar aceitar e perceber o que está acontecendo. Mas, o que posso fazer?
Culpo sempre o João dizendo que faço isto por causa dele. Este projecto foi sempre o seu sonho e eu apoio-o. Não era o meu sonho e ele está sempre lembrando-me que, se não gostava da ideia poderia ter dito desde o início. Eu nem sequer sei o que quero para mim! Não sei se isto é o que eu quero, no entanto, somos uma família e eu não posso deixá-lo ir sozinho. Ser um casal diz tudo, somos dois e não um. Eu sei que posso sempre dizer não e voltar para a minha vida confortável, mas se eu fizer isso de que vale ser um casal? E, se não nos apoiamos e encorajamos mutuamente, que tipo de marido e mulher somos?
Hoje é o Dia de São Valentim e nem sequer tivemos um dia especial ou jantar. Todo o dia foi passado a conduzir de um lado para o outro numa cidade para tentar encontrar peças e outros equipamentos necessários para o nosso veleiro. Que tal o jantar? Estamos tão ocupados com a nossa lista de compras, com a comunicação com o mecânico verificando o seu trabalho e a cuidar da Maria que realmente não temos tempo. Acabámos por comer comida enlatada com arroz branco! Que vida!
Não importa se hoje é o dia dos casais, para mim a minha família é a coisa mais importante. O João, o Noel e a Maria e eu, somos a família Gomes e sendo uma família desejo que possamos ser felizes todos juntos. Eu amo-os todos os dias!


Feliz Dia dos Namorados!

segunda-feira, janeiro 27, 2014

O que temos andado a fazer

Caros amigos
Pedimos desculpas por ter-mos estado todo este tempo sem dar notícias, no entanto, como muitos de vós já devem saber, estamos na República Dominicana desde meados de Janeiro. Mas, desde que chegámos, não temos tido tempo para nada, nem mesmo para este pequeno texto. Todo o tempo disponível tem sido dedicado a trabalhar no barco, a tomar conta da nossa bebé e do nosso cão e a nos adaptarmos a este novo estilo de vida.
Na marina está tudo a decorrer como planeado, apenas com custos mais altos do que aquilo que tínhamos antecipado, o que nos obriga agora a uma gestão mais apertada da pouca verba disponível.
O veleiro deverá ser lançado à água a qualquer altura esta semana e assim que o leme de vento e a nova pintura do casco estiver pronta.
Os últimos dias foram passados a instalar novas baterias (2 para o motor 4 para o barco, todos de ciclo profundo e marítimas). Fazendo pequenos trabalhos de marcenaria, limpando o interior e aplicando reparador de madeiras antes de mudar roupas para o interior. A instalar uma nova bomba de água de 40psi para o duche e novos interruptores flutoantes. E, isto sendo completamente fora do nosso planeado orçamento, reparando a cobertura de lona do poço. O veleiro tem uma cobertura que fecha completamente todo o poço mas, por restrições orçamentais, e porque não iremos usá-la toda na maior parte do tempo, decidimos apenas reparar os plásticos da parte da frente e de cerca de 1/3 dos laterais.
Por agora ainda continuamos num quarto arrendado e a conduzir um carro alugado, pelo menos até ao final do mês, altura em que esperamos já estar a viver a bordo.
Até lá ainda temos de encontrar um bote dentro do nosso orçamento porque, sem ele, não nos será possível deixar o cais...

terça-feira, dezembro 17, 2013

Palavras que nos dão alento

De tempos a tempos vamos recebendo mensagens de apoio de quem nos vai seguindo. Todas elas agradecemos porque nos vão dando alento e ânimo para ir enfrentando todos os obstáculos que nos aparecem diariamente.
Esta decidimos publicar devido à sua pertinência, depois de contactar o seu autor e dele obter autorização para tal.
A todos os que nos vão dando coragem para continuar, o nosso muito obrigado. Aos outros, as nossas desculpas por continuarmos a insistir, mas consideramos que os nossos antepassados devem ser celebrados...
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Caríssima tripulação do Sailing Dee,
Capitão Gomes,
Os mares que ireis navegar foram outrora a razão de estarmos hoje aqui a apresentar Macau como uma região especial para a China, mas sobretudo, especial para o resto do mundo (por bons e maus motivos). Não interessa se foi Portugal, se foram os portugueses esses obreiros, foi sim uma língua universal e que não é pertença de um só país ou de um só povo, mas de uma comunidade deles - o Português.
Há o pecado mortal, conveniente para uns quantos líderes e candidatos a tal, de reduzir a língua portuguesa ao ser-se português, é de tal ordem que até aqui por Timor-Leste se sente. Implica como que um “ódio”, uma negação, pelo que diga respeito a Portugal. E, dessa forma, aparentemente ou não maldosa, e até mesmo mesquinha, ultraja-se o discurso da prática pela negação a tudo o que indique a materialização das linhas que dizem “conectar” povos e existências através da língua portuguesa - falo de convenções, agrupamentos, associações, protocolos, etc.  
Por aí, em Macau, finge-se que se idolatra o Mandarim (por alguns), para se cair nas boas “graças” de Pequim (Beijing), sendo o que nas veias lhes escorre é o Cantonês e o Português - este ultimo que dizem "respeitar", outros até "amar", mas que todos preferem não cuidar, até se necessário destratar, mantendo a língua como interesse especifico de um grupo, grupinho, fechado, fechadinho, de pseudo intelectuais de origem macaense/português (os do limbo... entre uma e outra coisa no pós “(re)agregação” à China). Dominar a língua portuguesa dá a alguns, como os referidos, pelo João Gomes, a proximidade ao país Portugal, para sentirem notoriedade na sua existência de grupo e se alguma coisa correr mal, na “madrasta” China, terem no país Portugal, um bom porto de abrigo. Santa hipocrisia, Santa Isabel, São João.
O projecto Sailing Dee é um incómodo para Macau, para China e para Portugal. A língua é algo que afecta de sobremaneira as relações entre todos eles – Macau não tem autonomia plena, faz parte da China, ponto final. Macau é parte integrante da China, uma república “popular”, que não pratica a democracia, que não respeita em boa medida os direitos humanos e que tem uma existência repleta de “desejo” expansionista, com a “máscara” da ajuda económica (e não só) e regista preocupação a nível mundial. Macau é ponte clara e inequívoca para que a China aporte de forma “lavada” a mercados onde supostamente teria dificuldade em entrar.
 O alheamento das autoridades de Macau, em representação do Governo da República Popular da China, à cerimónia de homenagem a Jorge Álvares, o primeiro Português a chegar ao Mar do Sul da China, em 1513, são ilustrativas do que aqui escrevo.
Sublinho:
Numa primeira análise diria que o não apoio ao projeto "Sailing Dee", por parte das autoridades macaenses/chinesas é decepcionante, até mesmo afrontoso para com a comunidade dos falantes da língua portuguesa, dos países integrantes, mas não. A negação forçada de Macau ao assinalar da chegada/contacto com a língua portuguesa, é insultuosa para a sua história, para a sua própria história, seja ela escrita em português, seja em mandarim.
A mim não me surpreende, a mentira tem pernas curtas e só a diplomacia se veste dela.
Os factos são factos e o resto é… negação grosseira da verdade, por má vontade, por inveja e por uma atitude persecutória para com tudo o resto que envolva a ligação a Portugal e que o veleiro Sailing Dee personifica. 
Não acredito que o governo central chinês se recuse ao projecto Sailing Dee, não tem expressão para chegar ao "deuses do Olimpo de Beijing", fica-se pelas mais "sábias" decisões dos “contadores” do sucesso da “purga social” do jogo... Macau é esse grande sucesso do insucesso da existência humana quando uns "caçam" outros para a teia do deslumbramento de uma hipotética/distante vida fácil, através de um qualquer jackpot, na artificialidade que Macau hoje tem para oferecer - o reflexo que daí advém é a miséria e o sofrimento dos “caçados” e de suas famílias. As autoridades de Macau são as primeiras, nesta caso, a negar a intenção do Sailing Dee – todavia, especulo, o Sailing Dee foi só provocador para comprovar o afastamento da China às raízes da sua história – afinal, Macau serviu para que hoje a China tenha cidadãos espalhados por vastas regiões do globo… com a benesse dos portugueses da época, que hoje a China e Macau tentam ignorar.
Macau, na realidade de hoje é o espelho daquilo que Portugal, não a língua portuguesa, erigiu na “saga” do enriquecimentos dos seus protegidos que por ali passaram, em cargos de maior ou menor destaque,  de políticos e grupos adjacentes até 1999 e que a China soube aproveitar inteligentemente na “reintegração” - afinal, o vício do jogo, essa “coisa má”, tem a China por boa desculpa, foi obra de Portugal, através de uma língua, o português.
Imagine-se, o que seriam as "famílias", as duas que bem conhecemos, que "capa" melhor arranjariam, não fosse a conivência de quem geriu o "cantinho" da tal "árvore das patacas", na língua do inequívoco Camões, que ao que parece eram e continuam a ser  "patacas d'ouro".
Macau, o boom  "do sucesso económico", e que resulta num “PIB” astronómico macaense, mas que deriva do sofrimento pela exploração da ignorância gananciosa dos humanos jogadores, uns mais ou menos instados a sê-lo, transportados em autocarros como prémio de vida…
O expoente máximo do capitalismo rejeitado pela retórica socialista, tem em Macau a capital de um Oriente “viciado”.
Concluo:
Com a alegria de poder distanciar-me a mim e a vós, Sailing Dee, da origem sofrida dessas patacas.
A história do Sailing Dee é mais do que a expressão da boa vontade de "a" ou "b", de Macau, da China, de Portugal, ou de outros. 
O Sailing Dee transporta seriedade e verdade.
O Sailing Dee carrega o peso das pessoas boas que não descobriram mundos para se encher de riquezas materiais, mas sim que foram nas viagens para delas extrair o melhor da existência humana – a sabedoria e o aceitar a aprendizagem das lições da natureza.
O projecto Sailing Dee é um projeto de vida, que por si só leva ao mundo a diversidade do ser humano e prova da mobilidade do mesmo, e é, fundamentalmente, um projecto, que assenta os seus pilares no amor entre duas e três pessoas, entre três pessoas e um canino e vice-versa, que por sua vez ligam culturas e continentes, e que garantem essa ligação absoluta através dos seus descendentes – a mais jovem tripulante oceânica, NaE.
O Sailing Dee, fala-nos de diversidade, de unidade, de igualdade, de amor verdadeiro, de coragem, de tenacidade, de vontade. A todos os níveis, o Sailing Dee, é a família na sua expressão máxima e absoluta, revelada em todos os seus pormenores, o Noel, o buldogue francês, é uma lição que dais ao mundo no amor pelos animais, ninguém fica para trás. É nesta atitude, nestes gestos que eu mais acredito, e estas são as vossas lições pelo mundo.
Não vale a pena falar mais de Macau ou de quem seja que não apoie o projecto.
O Sailing Dee está acima de tudo isso, sei que ireis navegar em nome da família, e nos vossos pensamentos que prevaleça a simplicidade da palavra universal daqueles que um dia descobriram mundos e estabeleceram rotas por bem e não por outra intenção que não fosse o conhecimento – não dos outros que tinham por missão a expansão do egoísmo, da inveja, do mercantilismo, do medo, da subjugação e da eliminação de outros povos.
 Os descobrimentos mais do que não foram, para alguns, a forma de procurar a subjugação do outro pelo outro, de usufruir dos seus bens e produtos, explorar as fragilidades a favor dos aportados e dos seus patrocinadores – já naquela época se vivia de patrocínios.
 Abriram-se e desvendaram-se mundos ao mundo, é verdade, mas a que preço… para a humanidade?

Finalizo:
Regresso ao Sailing Dee, onde sei que a viagem é a da razão da existência humana - da liberdade e do amor incondicional, do respeito pelo outro e do exemplo continuado de bem-fazer universalista.
 Bons ventos, que vos soprem sempre na conta certa por Éolo.
António Veladas
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A corrobar essa falta de apoio referida na mensagem enviada, publico a imagem da carta dos Serviços de Turismo de Macau, negando esse mesmo apoio.

segunda-feira, dezembro 16, 2013

500 anos esquecidos pelos Governos

Cerimónia dos 500 anos da chegada dos Portugueses à China
Há uns dias em Macau foi feita uma justa homenagem a Jorge Álvares, o primeiro Português a chegar ao Mar do Sul da China. Jorge Álvares, nascido em Freixo de Espada à Cinta, Portugal, chegou às águas do Mar do Sul da China em 1513, mais propriamente à ilha de Lin Tin, na foz do Rio das Pérolas a meio caminho entre Macau e Cantão.
Uma iniciativa de cariz particular onde não couberam representações oficiais de qualquer governo, fosse ele do Português, do Chinês ou do de Macau. Infelizmente é assim que se trata 500 anos de contactos entre Portugueses e Chineses.
Ficou a iniciativa, que também pouco eco mereceu na Comunicação Social local, que valeu para marcar uma efeméride que merecia mais consideração pelos poderes instituídos.
Estivemos presentes, como não poderia deixar de ser, visto que a nossa viagem também aborda a mesma temática.
Jorge Álvares foi o primeiro Europeu a chegar à China por mar.

sexta-feira, dezembro 13, 2013

10 mil visitantes



Queria dizer MUITO OBRIGADO a todos vocês, acabámos de passar a marca dos 10.000 visitantes nos últimos dias...
Muito mais está para vir... estamos agora no último mês de Macau... o próximo passo é um voo de longo curso para as Caraíbas para nos juntarmos à nossa casa para os próximos anos...

Continuem a vir aqui regularmente para acompanharem a viagem e saberem mais detalhes...

terça-feira, dezembro 10, 2013

10 razões para viajar

Este post foi feito pela NaE, originalmente em Inglês, e traduzido pelo João

Quando falamos de viagens, acredito que 99% das pessoas têm seus destinos de sonho. Eu também tenho um.
O meu sonho é visitar a Áustria e a Alemanha e assistir a concertos de música clássica ao vivo. Eu adoro música clássica, faz-me sentir viva, mesmo que não entenda as notas musicais. Simplesmente adoro a melodia.
Os meus destinos de sonho e a minha actividade predilecta parecem estar em locais completamente opostos ao nosso projecto de "Viagem à volta do Mundo", no entanto, acredito que a nossa viagem também nos vai oferecer oportunidades como eu nunca imaginei. Acredito que alguns dos destinos com o nosso veleiro "Dee" se irão transformar em lugares de sonho!
Todos nós gostamos de viajar. É uma actividade que todos temos de fazer na nossa  vida. Viajamos em lazer, trabalho, estudo, compras e por devoções religiosas ou quaisquer outras razões. Para quem trabalha todo o ano, que se esforça para ganhar dinheiro que depois usa para comprar tudo o que quer e precisa para ter uma vida confortável, para ter as mesmas coisas que os amigos e vizinhos têm, as férias são importantes.
Digam-me quando foi a última vez que tiveram férias sem despertadores, computadores ou sem ver emails ou até mesmo sem relógio? Sinceramente, eu não me lembro sequer de um único dia de férias em que eu estivesse completamente desligada do mundo exterior! A nossa vida tem coisas mais importantes do que trabalho ou dinheiro. Saúde, amizades e experiências são também aspectos muito significativos.

10 razões pelas quais devemos viajar -  isto é somente o meu ponto de vista.

Alguns de vocês concordam totalmente, mas há-de haver também quem discorde.

1. Para desfrutar de lugares diferentes
2. Para conhecer novas pessoas
3. Para saber quão incrível é o nosso mundo
4. Para alterar a nossa rotina diária
5. Para passar mais tempo com a família e amigos
6. Para experimentar coisas novas
7. Para conhecer diferentes culturas e estar ciente da sua importância
8. Para superar dificuldades juntos e melhorar a vida de casal
9. Para ter oportunidades diferentes

10. Para gastar e desfrutar do nosso dinheiro enquanto ainda temos saúde

Agora, é a sua vez de escolher o dia e reservar o bilhete para o seu próximo destino de férias!

Quedas de água em Siquijor, Filipinas 
Hotel em Boracay
A desfrutar de comida local
Marginal em Marbella, Espanha
A aprender sobre a rota marítima para Malaca, Malásia
Aprender cultura local, "Wai", cultura Tailandesa
Vista de Sintra, Portugal, parte da lista de Património Mundial da UNESCO
Comer a sua comida favorita, Pastéis de Belém em Portugal
Marina de Almeria, Espanha
Ponte 25 de Abril em Lisboa, Portugal
A fazer esqui, actividade de família na Coreia do Sul
A desfrutar de bons momentos com bons amigos
Tempo de casal, algures em Banguecoque
A sonhar no País da Fantasia, Disney Land de Hong Kong
O local onde a história entre o Sião e Portugal começou, Ayutthaya Tailândia
Desfrutar da natureza!