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quarta-feira, novembro 12, 2014

Salva-vidas do Dee

Um dos items a verificar na nossa preparação para a travessia do Oceano Pacífico no próximo ano era o salva-vidas que, a confiar no selo da inspecção que constava na caixa, não era verificado desde 2001!
Durante esta nossa estada em Santa Lucia decidimos então fazer esse investimento extra. Um investimento que, sinceramente, esperamos nunca precisar de utilizar!
Abrir o salva-vidas PLASTIMO
O local escolhido foi o agente local da marca PLASTIMO, a marca do nosso salva-vidas, a Liferaft&Inflatable Center em St Lucia, propriedade de um casal aqui estabelecido há várias décadas. Um dos requisitos que tinhamos, devido ao curto orçamento, era de dar em troca o fogão eléctrico que tinhamos a bordo desde que comprámos o de gás em St Maarten! Felizmente foi possível fazer negócio e o fogão pagou uma parte substacial da conta da inspecção do salva-vidas.
O fogao Force10
Outro dos requisitos que tinha era de ser possível ver a inspecção a ser feita, tanto a abertura como a selagem do equipamento dentro da caixa. A empresa não levantou quaisquer obstáculos a que estivessemos presentes e vissemos todo o processo, o que nos deixou mais confiantes no bom serviço que forneciam.
Inspeccionar um salva-vidas não é obrigatório na maioria dos países mas para nós, que planeamos a nossa vida no mar, era mais do que obrigatório, era essencial. A nossa vida pode depender dele, apesar de esperamos nunca o ter de usar. Mas, caso seja preciso, não quero ter a surpresa de não funcionar!
Todo o processo demorou cerca de três dias, tendo sido aberto num dia de manhã na nossa presença e como podem ver no video disponível aqui no texto. Surpreendentemente o interior estava em excelentes condiçoes, no entanto, todo o equipamento de emergência estava mais do que expirado e teve de ser todo substituído.


A lista é a seguinte:
Lanterna à prova de água e baterias
Veryligh com paraquedas
Verylight manual
Fumo laranja flutoante
Pílulas anti-enjoo
Kit de reparação
Kit de primeiros-socorros
Apito
Fita-adesiva azul
Super-cola

Havia ainda água e comida para os seis ocupantes do salva-vidas, items que não foram repostos porque temos um dessalinazidor portátil no saco de abandono do barco caso seja necessário.
Foi também inspeccionado e renovado cilindro de CO2 e feito um teste Hydro ao mesmo válido até 2019.
O salva-vidas é de seis pessoas, fabricado em 1995 e certificado para uso em alto mar.
O serviço total custou 4260EC$ (cerca de 1600 US$) e foi passado um certificado de inspecção válido por dois anos, tendo sido o processo feito de acordo com os regulamentos SOLAS e a resolução 9185528 IMO. Findos os quais a empresa nos aconselhou a fazer nova inspecção especialmente para verificar se o piso do salva-vidas está em boas condições e mudar a cola que o segura a toda a estrutura. Pelo que nos explicaram esse é o maior calcanhar de aquiles dos salva-vidas e que deve ser evitado a todo o custo. Portanto, fica o conselho para insistir com a colagem do piso dos salva-vidas sempre que são inspeccionados para que se certifique que o piso fica no local e não descola!
A fechar o salva-vidas
O serviço prestado pela Liferaft&Inflatable Center foi profissional e completamente aberto, sem quaisquer detalhes escondidos. Tudo foi discutido connosco e foram sempre muito atenciosos, tendo tentado tudo para que fossemos satisfeitos e que o serviço fosse do nosso agrado. Isto, para nós, foi muito importante visto que estamos com orçamento muito curto e deixou-nos a impressão de que o serviço foi muito bom, visto não sermos um cliente prioritário como os que chegam a estas paragens de carteiras cheias de dólares.

domingo, março 30, 2014

Sonhos começam em La Hispaniola



O texto original foi escrito em tailandês pela NaE e traduzido para para Português pelo João.

La Hispaniola significa "A Espanhola" na língua de Cervantes. Onde Cristóvão Colombo descobriu o Novo Mundo em 1492. La Hispaniola é constituída por dois países, a República Dominicana e o Haiti.

Nossa Volta ao Mundo começa aqui, na República Dominicana, onde foram assinados os documentos da compra do veleiro. Enquanto ainda estamos no modo de preparação, verificando as velas, motor, sistemas de comunicação e eléctricos, filtros de água, comida e, claro, tentando ajustarmo-nos ao nosso novo estilo de vida, passámos os últimos três meses em Luperón, Puerto Plata. Luperón está localizada na costa norte da República Dominicana, e é conhecida como o paraíso dos velejadores por causa da segurança natural que abriga muitos barcos à vela durante a temporada de furacões, é o porto mais seguro das Caraíbas. E, em termos de terramotos, o último na República Dominicana foi em 1930.

Provavelmente, se perguntarmos à geração mais jovem onde é a República Dominicana muitos, ou mesmo todos, ficam embaraçados e perguntar-nos-ão onde é! Ou, na melhor das hipóteses, confundem-na com Dominica! No entanto, para as pessoas interessadas em História, a República Dominicana é bem conhecida. Tudo começou aqui, a descoberta do Novo Mundo, La Isabela, onde Cristóvão Colombo chegou, a primeira missa no Novo Mundo, o primeiro assentamento europeu no Novo Mundo, a primeira igreja católica nas Américas ou até mesmo a primeira capital das Américas. Hoje em dia Santo Domingo ainda permanece a capital da República Dominicana e também a maior capital do Caribe.

A História e cultura dominicana é notável. A cultura é uma mistura de europeia e nativa, o que deu resultado em "mestiços" (pessoas de raça mista), os dominicanos têm uma aparência que contrasta com a do seu vizinho, os haitianos têm pele mais escura. Hoje em dia, a República Dominicana tem uma população de cerca de 10 milhões de pessoas. O espanhol é a única língua oficial. A principal indústria do país é o turismo, naturalmente, porque as ilhas do Caribe são o destino de sonho para os amantes de praia e do mar. No entanto, a sua natureza virgem e a longa história estão atraindo cada vez mais turistas. Os principais produtos de exportação são o arroz, banana e galináceos, sendo o Haiti o destino principal destes produtos porque o seu solo não é adequado à produção agrícola. Os Estados Unidos e a Venezuela são os segundos principais destinos das exportações. Depois de visitar muitos locais em todo o país, temos que admitir que a paisagem é de tirar o fôlego, os campos são tão verdejantes que até a aragem cheira a campo. As bananeiras estão por todo o país, é um dos principais produtos e, naturalmente, é um alimento de base importante na dieta diária dos Dominicanos, da mesma forma que as batatas são para os europeus e o arroz para os asiáticos. Como resultado desta abundância e variedade, as bananas são sempre parte das refeições como acompanhamentos em parceria com o feijão!

O que me deixou mais surpresa foram as pessoas. São todos muito prestáveis e sempre prontos a ajudar. Nos primeiros dias depois que chegarmos perguntei ao João se eles nos ajudam com sinceridade ou porque vêm que somos turistas e tentam tirar vantagem de nós. Quando perguntei a alguns locais a razão de serem assim a resposta impressionou-me e que espero que os nossos leitores possam também aprender da mesma forma que também o fizemos. "O nosso país é um destino turístico. Nós não queremos saber de onde vieram, e acreditamos que não é necessário perguntar de onde vieram, desde que seja um turista temos que o receber bem. O nosso país é talvez o único país no mundo onde pode conhecer uma pessoa local e no dia seguinte pode ser convidado para ir comer a sua casa ou mesmo ganhar um bom amigo."

O governo dominicano tenta promover a indústria do turismo e faz todos os esforços para melhorar a segurança do país. Tentam proteger a natureza, exemplo disso é o mangal que é protegido por lei. Na baía de Luperón todos estão conscientes do problema da poluição e as autoridades deixam muito claro que é estritamente proibido despejar lixo ou quaisquer outros produtos poluentes nas águas, pela simples razão de que não querem estragar o ciclo natural e perturbar a vida marinha. No entanto, se alguém tende a prejudicar a natureza, pode ver-se em problemas com as autoridades e tem que enfrentar as leis locais.

A República Dominicana é rica em alimentos, frutas e legumes e outros recursos naturais, no entanto, a água é uma preocupação séria. O governo tem feito sérios esforços para consciencializar as pessoas para a qualidade da água da rede pública, promovendo o consumo de água tratada, em vez da água que chega às casas.

Desde que chegámos que temos comprado água engarrafada. No entanto, encontrámos alguns velejadores experientes que nos disseram, como regra de ouro nas Caraíbas, geralmente bebem água da torneira se os locais também a bebem, caso contrário, bebem engarrafada. Temos seguido este conselho até agora. Esta é a razão de vermos tantas marcas diferentes de água tratada, marcas a nível nacional e mesmo apenas local. As opções e os preços variam muito. Tivemos a oportunidade de visitar uma das marcas de Luperón – onde nos foi explicado todo o processo e que, possivelmente, iremos abordar num próximo texto.

A parte norte da República Dominicana está virada para o Oceano Atlântico e o sul para o mar do Caribe, uma extensa linha de costa com muitos portos de pesca e infraestruturas. Luperón, onde passamos a maior parte do tempo, está localizado no litoral norte. Uma aldeia com poucos habitantes que com a alta dos preços do gasóleo e da gasolina, dá origem a custos insuportáveis para a indústria pesqueira. Em resultado disso, o porto de Luperón só tem seis barcos de pesca e só saem duas vezes por semana durante longos períodos para maximizar a margem de lucro. Há um porto comercial maior em Puerto Plata, que contribui grandemente para a economia da costa Norte, mas não é suficiente para abastecer toda a região. Este problema com os altos custos de combustível e frota de pesca pequena, justifica a falta de opções em termos de pescado, mesmo vivendo na água!

Agora o veleiro Dee está quase perfeito para velejar em alto mar. Tudo está ficando afinado e deixámos de dar mais passos para trás do que para diante. Se as coisas seguirem de acordo com o plano, vamos estar à espera de uma janela de tempo favorável para deixar Luperón, com rumo a leste de La Hispaniola, para seguir para Porto Rico, um dos estados da América.
Vista de mar, Puerto Plata
Vista de mar, La Isabela
Catedral, Puerto Plata
Área Colonial, Puerto Plata
Baía de Luperón, vista da Marina Tropical
A primeira igreja das Américas; Las Americas, La Isabela
Fruta na estrada, Puerto Plata
Actividade de domingo, escola de vela na baía de Luperón
Noel com pôr-do-sol , baía de Luperón
Pai e filha, na baía de Luperón
Filete de peixe com banana frita
Rua na vila de Luperón
O "nosso" fornecedor de vegetais local, Luperón
Baía de Luperón, vista da Marina Luperón 

domingo, fevereiro 16, 2014

O meu dia de São Valentim

Este texto foi, originalmente, escrito pela NaE em Inglês e traduzido para Português pelo João.
A família Gomes no "Dee" 

Passou já algum tempo desde que escrevi pela última vez, penso que desde que deixei Macau. O principal problema não é falta de inspiração ou a preguiça, mas penso que compreendem, estamos tão ocupados que nem sequer temos tempo para ir visitar quaisquer lugares na República Dominicana e já cá estamos há um mês! Todas as manhãs acordamos por volta das 7, e se temos energia eléctrica na marina temos sorte de ter pequeno-almoço! Ah, preciso de explicar que no nosso barco não podemos cozinhar se não tivermos energia da rede pública ou da marina porque o nosso fogão é eléctrico, e temos que esperar que o mecânico conserte o nosso gerador de bordo, aliás, esperamos desde que chegámos. As nossas baterias novas tiveram de ser substituídas porque morreram, o nosso bote de borracha não tem motor fora de bordo porque ainda esperamos que a pessoa que cuidava do nosso barco quando estava em doca seca nos o entregue, mas essa pessoa anda muito ocupado com problemas na sua própria empresa. A marina onde ficamos chama-se "clube de iates" mas nem sequer podemos sair por terra, precisamos de ter carro, tem energia eléctrica apenas algumas horas por dia, mas, pelo menos, têm água corrente durante todo o dia. Estamos como que presos aqui, no meio das ilhas sem forma de ir a algum lado e algumas vezes até mesmo sem comida.
O que temos de resolver todos os dias não é agradável, e a isso há que adicionar uma vizinha "ecológica" que passa o tempo a reclamar que o nosso motor faz muito fumo e que entra pelo seu enorme iate quando durante o dia tentamos carregar as nossas baterias!
Muitas vezes sinto-me desesperada com o que está acontecendo mas sinto-me impotente, não há nada que eu possa fazer! Não é como na Ásia, onde podemos encontrar um mecânico para consertar uma coisa e, se ele não fizer o trabalho bem, podemos tentar encontrar outro. Por isso aqui usam muito a expressão trabalham ao "estilo Dominicano"! Como é? Se tiverem um compromisso algum dominicano terão sorte se aparecer no mesmo dia! Isso é estilo Dominicano e ninguém se chateia!
Muitas vezes discuto com João mesmo sabendo que ele tenta o seu melhor para resolver tudo, tentando solucionar os problemas um por um. No entanto, para me adaptar e me acostumar a este tipo de vida é muito difícil, e ainda tenho que tentar aceitar e perceber o que está acontecendo. Mas, o que posso fazer?
Culpo sempre o João dizendo que faço isto por causa dele. Este projecto foi sempre o seu sonho e eu apoio-o. Não era o meu sonho e ele está sempre lembrando-me que, se não gostava da ideia poderia ter dito desde o início. Eu nem sequer sei o que quero para mim! Não sei se isto é o que eu quero, no entanto, somos uma família e eu não posso deixá-lo ir sozinho. Ser um casal diz tudo, somos dois e não um. Eu sei que posso sempre dizer não e voltar para a minha vida confortável, mas se eu fizer isso de que vale ser um casal? E, se não nos apoiamos e encorajamos mutuamente, que tipo de marido e mulher somos?
Hoje é o Dia de São Valentim e nem sequer tivemos um dia especial ou jantar. Todo o dia foi passado a conduzir de um lado para o outro numa cidade para tentar encontrar peças e outros equipamentos necessários para o nosso veleiro. Que tal o jantar? Estamos tão ocupados com a nossa lista de compras, com a comunicação com o mecânico verificando o seu trabalho e a cuidar da Maria que realmente não temos tempo. Acabámos por comer comida enlatada com arroz branco! Que vida!
Não importa se hoje é o dia dos casais, para mim a minha família é a coisa mais importante. O João, o Noel e a Maria e eu, somos a família Gomes e sendo uma família desejo que possamos ser felizes todos juntos. Eu amo-os todos os dias!


Feliz Dia dos Namorados!